terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Vida

Cada miserável passo me rasga a pele
Como podemos, nós humanos, suportar a jornada?
A solitária e cruel jornada.
Sempre ambígua, sempre tão complexa.
Estamos em intensa e contínua contradição.
Forjamos encontros e conversas sinceras.
Relatar a carne e sentir o cheiro. 
Buscamos o olhar, o caminho, o fim, a luz?
E a existência? Sentido? Resposta? 
Somos eco, somos terra, somos morte.
Somos o ciclo e somente isso.

LMD

O caminho.

A estrada é sempre solitária.
A carência sufoca o outo e nos resseca a alma.
O que está dentro não se traduz.
O estômago contrai e os olhos já não são maré.
De uma hora para outra sou como água parada.

Recife
24/12/2015

domingo, 31 de maio de 2015

Domingo

A tristeza escorre do peito e só isso importa.
Fecha os olhos e o coração não para. Bate porque não se acalma.
Busca os caminhos seguros. Tenta aprender a ser forte e tranquilo.
Mas se dobra e se perde em meio as suas limitações.
Como relógio, ele repete as passadas. Haverá outro caminho.
Mas um caminho que se afaste da raiva, do rancor e do sentimento de solidão.
Se expressa através do caminho, do percurso, das falhas, dos lutos.


Recife.
31/05/2015
Luma..

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Mas tu deves aprender a ver, a cavucar, cheirar.
Perceber com unhas e dentes, com lama, com fome.
Sempre com cuidado de não se ouvir somente o que se quer ouvir.
Se disserem que as coisas não serão fáceis,
Atente, para não ouvir apenas que serão.
Que é possível, que venceremos.
Atente. Pois antes disso morreremos, sangraremos.
Antes do jardim florido, somente terra remexida, queimada.

LMD

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Os dias que nos falaremos pelos poemas
Não acabarão jamais...

LMD

E porque insistem em tentar vendar meus olhos, se o que mais quero é poder ver?
Na vergonha de buscar desculpas, respostas, motivos quaisquer...
Pra dizer que és vago, que és farsante, que não tens nem memória nem glória.
Onde está a cabeça elevada de lombo doído, moída das horas sem fim?
Onde está o pulso que dói, e por doer se levanta sem pena, com garra e sem dó de ninguém?
Ele não está só. O pulso das costas cansadas com os filhos no colo, com filhos com fome.
Onde tu estás? Me fazes levantar e diz completar, honestamente, minha renda com centavos a mais?
Não luto pelas migalhas, eu luto no luto que parece eterno.
Mentira encarnada, encrustada na pele, vermelho pintado, vermelho sem sangue...
Tomei teu café, escutei tua história e ainda em delírio confiei na tua trama.
Na cama mal feita, na cama de gato deitei e sonhei.
Mas acordo e meu vermelho é real, manchará tua alva invenção.

O pulso não está só, derramará teu sangue, e nós venceremos.

LMD
2014 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Amnésia

Na anestesia do remédio
A ausência do incomodo
Mais fácil viver, sobreviver
Sobrevida, sub-humano

Subnutrição, estagnação
Não são idéias que alimentam
São os fatos que aterrorizam

O tijolo que constrói a casa
Desaba sobre meus pés.
Não são só barro, não são arreia
São vidas, suores, são lágrimas

E são agora, sob o julgo do anestésico
Lembranças vagas de horas roubadas
De vidas perdidas, banidas

Fechamos os olhos e pensamos nas flores que não vemos
Nos sabores que não conhecemos
Nas imagens que não nos pertencem
E queremos, com ajuda das curas milagrosas
Estar lá... Neste lugas sem sentido e sem vida.